Cadê a autonomia?

7 de junho de 2011

O governo Dilma já dura 158 dias e já pude me decepcionar completamente com ele pelo menos duas vezes. Instituições independentes que sempre desempenharam bem seu papel estão dobrando-se aos interesses do Planalto e passando por cima de seus próprios princípios.

A impressão que tenho é que o governo não se dá conta da gravidade de algumas situações e de suas propostas.

A primeira instituição a que me refiro é o nosso famoso e badalado Banco Central. Este alinhou seu discurso ao discurso hipócrita do Ministério da Fazenda e ignorou o rigoroso controle inflacionário que ocorreu nos 8 anos do governo Lula e que foram muito bem aplicados.

Cadê a independência e credibilidade do Banco Central brasileiro? Alguns podem dizer que uma atitude mais agressiva do Banco Central poderia aumentar ainda mais a lucratividade dos bancos. Sim, isto é verdade! Mas, um arrocho maior no aumento da taxa SELIC preservaria a inflação a níveis mais baixos e protegeria quem mais precisa de proteção no brasil: “os pobres”, os menos favorecidos.

Será que veremos nos 4 anos do governo Dilma um Banco Central servindo de capacho para o incompetente ministro da Fazenda, Guido Mantega? Este deveria observar melhor o mercado e seus indicadores antes de começar a falar coisas sem sentido e nenhum fundamento.

A segunda instituição a que me refiro é o IBAMA, que deveria preservar o meio ambiente e lutar para que nossa fauna e flora fossem preservadas.

Pois bem, o que este fez? Concedeu uma licença ambiental para a construção da usina de Belo Monte mesmo quando as exigências que este órgão tinha feito não foram atendidas, ou melhor foram parcialmente atendidas.

Será assim de agora em diante? O IBAMA irá conceder licenças que parcialmente cumpram os requisitos MÍNIMOS exigidos por ele mesmo? Juro que tento, mas não consigo entender a lógica por trás deste parcialmente atendido, nem a lógica por trás desta atitude predatória.

O governo Dilma ainda engatinha, mas já está mostrando sua fragilidade e sua força! Fragilidade ilustrada pela sua base aliada heterogênea, capaz de se dissipar aos menores ruídos… Já sua força é exibida da pior forma possível, através da alteração das exigências de instituições independentes, que integram o governo e , hoje, estão dançando conforme a banda do Planalto toca!

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